
Digitar, escrever à mão ou ditar: o que é mais rápido?
Há quatro formas comuns de tirar as palavras da cabeça e colocá-las em uma página: escrever à mão, digitar em um teclado, digitar em um celular e falar com um aparelho que escreve por você. Elas diferem bastante em velocidade, e a mais rápida no papel nem sempre é a mais rápida na prática. Veja como se comparam e quando cada uma é a escolha certa.
As velocidades, lado a lado
São faixas típicas para adultos. As diferenças entre pessoas são grandes.
- Escrita à mão: cerca de 15 a 25 palavras por minuto na escrita comum. Dá para ir mais rápido em trechos curtos, à custa da legibilidade.
- Digitar no celular: em média, cerca de 35 a 40 palavras por minuto. Um estudo amplo com dezenas de milhares de voluntários encontrou uma média de cerca de 36, com quem usa os dois polegares claramente à frente de quem usa um dedo.
- Digitar no teclado: cerca de 40 a 50 palavras por minuto para o adulto médio. Um estudo com mais de cem mil voluntários encontrou uma média próxima de 52. Quem aprendeu a digitar sem olhar costuma chegar a 60 ou 80, e os profissionais passam de 100.
- Falar: a conversa comum fica em torno de 120 a 150 palavras por minuto.
Em velocidade bruta, a fala ganha com folga. É cerca de três vezes o ritmo de quem digita em velocidade média e seis vezes ou mais o ritmo da escrita à mão. Mas a velocidade bruta é só o primeiro passo.
Por que ditar não é três vezes mais rápido
Os programas de ditado ficaram muito precisos e, para algumas pessoas, são a melhor ferramenta disponível. Para a maioria, o ganho real é menor do que os números sugerem.
- Correções. Nomes, termos técnicos, números e palavras incomuns são muitas vezes entendidos errado. Cada correção leva mais tempo do que teria levado digitar a palavra.
- Pontuação e formatação. Ou você diz "vírgula" e "novo parágrafo" em voz alta, ou acrescenta depois.
- Compor em voz alta. Dizer uma frase pronta sem pausa é uma habilidade. A maioria das pessoas para, recomeça e reformula, e o resultado precisa de muita edição.
- Onde você está. O ditado precisa de um lugar tranquilo onde falar seja aceitável. Isso exclui a maioria dos escritórios, bibliotecas, trens e casas compartilhadas.
- Editar ainda pede as mãos. Mover um parágrafo ou consertar uma palavra é mais rápido com o teclado.
Quando se inclui o tempo de correção e edição, ditar um documento cuidadoso muitas vezes acaba perto do ritmo de quem digita bem. Para um primeiro rascunho, ou para alguém que digita devagar, ainda pode ser muito mais rápido.
Por que ainda vale a pena escrever à mão
A escrita à mão é de longe o método mais lento, e às vezes isso é uma vantagem. Como você não consegue anotar tudo o que alguém diz, é obrigado a escolher o que importa e colocar com suas próprias palavras. Vários estudos com estudantes sugeriram que isso ajuda a compreensão, em comparação com digitar uma aula palavra por palavra, embora os resultados sejam divergentes e o benefício pareça vir do ato de resumir, não da caneta.
A escrita à mão também serve bem para diagramas, equações, esboços rápidos e tudo em que a posição na página tem significado. E um caderno não tem notificações.
Quando digitar é a melhor escolha
Para a maior parte do trabalho escrito, o teclado oferece o melhor equilíbrio entre velocidade, precisão e controle.
- Uma velocidade que se mantém. Quem digita bem consegue sustentar 60 palavras por minuto ou mais por muito tempo, sem esforço.
- A edição já vem junto. Você pode corrigir, reordenar e reescrever enquanto trabalha.
- É silencioso e privado. Funciona em qualquer ambiente.
- O resultado é pesquisável e fácil de compartilhar.
- Dá conta de tudo. Números, símbolos, código, tabelas e formatação são digitados do mesmo jeito.
O porém é que essas vantagens pertencem a quem digita bem. A 25 palavras por minuto, com dois dedos e os olhos nas teclas, digitar quase não supera a escrita à mão, e o esforço de procurar teclas atrapalha o raciocínio. É por isso que aprender a digitar sem olhar compensa tanto: leva você da parte de baixo da faixa do teclado para a parte de cima, e é o único dos quatro métodos em que a prática pode dobrar a sua velocidade.
Escolhendo pela tarefa
- Anotações em uma reunião ou aula: à mão, se você quer entender e lembrar. No teclado, se precisa de um registro completo.
- Documentos longos, relatórios e redações: teclado. Dite um primeiro rascunho se falar for fácil para você, e depois edite no teclado.
- Mensagens curtas na rua: o celular, ou o ditado quando suas mãos estão ocupadas.
- Capturar ideias depressa: o ditado é excelente. Fale livremente e arrume depois.
- Código, planilhas e tudo que tenha símbolos: teclado.
- Mãos doloridas ou uma lesão: ditado, para descansar as mãos. É também uma ferramenta essencial para quem não consegue digitar com conforto.
Usando todos juntos
Os métodos combinam bem. Muita gente que escreve planeja no papel, rascunha por voz ou teclado e edita no teclado. Usar mais de um também distribui a carga física, o que importa se você escreve muitas horas por dia.
O que isso significa para a sua digitação
Se você digita a 40 palavras por minuto, trabalha a cerca de um terço da velocidade com que forma frases na cabeça. Seus pensamentos esperam pelos seus dedos. A 70 ou 80, essa espera encolhe para quase nada na maioria dos tipos de escrita, e você ainda tem a edição, a privacidade e a precisão do teclado. Esse é o argumento prático para melhorar a sua digitação: não vencer uma corrida, e sim fazer a escrita no teclado acompanhar o pensamento.